sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Vazio e adeus


Correndo de cá para lá de perdição em esquecimento
Sobranceira  às tempestades do sempre vão tormento
Aflige-se me a alma envolta em dourado filamento
De purpuras ou rubras lágrimas companheiras no isolamento

essas pequenas alegrias que aos sorrisos dão cor
Têm para mim arsénico ou outro amargo sabor
Têm tudo menos alegrias…talvez adocicado pavor
Que das prosas das mágoas sei bem as letras de cor

Que estou para aqui a dizer? ... não levo jeito  ao desabafo
Nem do tinhoso sofrer me farta a réplica do cansaço
Fazer o que de mais não sei  … se não sei pra que me estafo

Em boa hora peguei nesta pena…. já que em penas me enleio
Dando por dito um adeus … há que adeus  soturno e feio!
Tudo só porque tenho saudade desse tempo escuso e cheio …..

Olinda Ribeiro
14 de Fevereiro de 2014

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ventos de mudança II

Sempre que se agigantam as tempestades,
Entorpeço ao ribombar dos trovões,
Escondo-me em labaredas de saudades,
Desejo redimir-me em mil perdões.

Sem força para afastar tais ventanias,
Fico encolhido. Espero atento.
O tempo afastará as tropelias…
Aguardo pois. Aguço o alento.

Esse temporal terá que chegar ao fim,
Assim o espero, assim acalento.
Desejo sair desta negra solidão.

Rebuscarei as forças dentro de mim,
Esperarei  pela mudança do vento,
Encontrarei essa luz, na escuridão.

2013 Vasco de Sousa
Com um grande beijinho para a minha amiga Olinda.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Réstia de Esperança

Lá longe onde os beijos se consomem
As estrelas pairam sonhando
Os sorrisos são mais cintilantes
Os desejos nunca dormem
Trauteios de amor cantando
O fruto de ventos constantes

Gravados que estão no supremo amanhecer
Um afago fugaz revela a próspera intenção
Entremeados olhares delicados e copiosos
Falam de corpos colidindo ao entardecer
De barcas-belas, música suave, fogo e paixão
E de mãos entrelaçadas em carinhos zelosos

São os amores esquecidos e empoeirados
Pedindo uma sede de água e uma migalha de pão
Num vislumbre outonal querendo ainda viver e amar!

2013 Olinda Ribeiro

domingo, 27 de janeiro de 2013

Júnior

O tempo vai passando….

A dor vai aumentando com a agrura dos dias….
Queria tanto sentir os teus braços rodeando o meu corpo
Sentir a ternura dos teus beijos
E a tua voz ai que saudade da tua voz!
Suspiro por ti, todos os meus pensamentos são teus…
E no meu queixume …não tem lugar o ciúme….
Só tenho espaço prá saudade e pra esta dor que a tua ausência me pena…

Não não tenho raiva …. Não tenho ódios…. Não desejo mal ao mundo,
Só tenho esta inclemência da saudade
E no meu dorido desnorte
Só penso que talvez a morte seja mais mansa e mais clemente
Queria-me nesse tempo em que todos os teus ais eram meus…
E em que tu estremecias só de pensar em mim! …..
Ah como eu era feliz então! Tinha descoberto o amor….
O mesmo amor que agora derrama sobre mim a inclemência da saudade
Queria-me nesse tempo em que um beijinho e um abracinho era o céu onde vivia!

Eu tenho esta lágrima derradeira que teimo em não derramar,
É igual à lágrima primeira…
Água límpida do meu prantear
Minha alma, meu coração a bater,
Minha adaga de sal!
E tu que tanto tardas em chegar…. E eu sem saber do teu amar!

2013 Olinda Ribeiro

domingo, 18 de novembro de 2012

Voltarei…quando de novo me reencontrar…

As palavras querem sair…gritam dentro de mim…
As palavras não se querem ociosas … querem eclodir…
Mas ai de mim que já não sei expressar o que sinto…
Falta-me a rima
Falta-me o gozo
Falta-me o apetite voraz por escrever a minha alma
A morte física do ser que me pariu, deixou-me inerte e sem rumo…
Deixou-me apneica na minha própria condição de celebrar a vida
Só eu tenho o condão de me catarsizar…
Mas fatal na minha evidente separação umbilica reagi amortizando no degredo

Perdi fisicamente muitos entes queridos… mas sempre os sustenho vivos dentro de mim…
Porém com este ser maravilhoso a minha santa mãe…
É realizar vivente o célebre ditado…:
- QUEM NÃO TEM MÃE NÃO TEM NADA!!!!

Estou a fazer o meu luto o melhor que sei e posso…
Apraz-me saber que o tempo me vai ajudar… bem como todos aqueles que me têm apoiado…
Incluindo todos vós meus preciosos amigos!!!!

Um grande bem haja
Até breve

2012 Olinda Ribeiro

Foi de minha mãe que herdei a coragem de ultrapassar as adversidades….
Também  herdei o nome com que assino,,,,Olinda Ribeiro…

sábado, 17 de novembro de 2012

Vazia a sala de meu peito

Vazia a sala de meu peito, cujo encanto
Versejo em mágoas que não cabem num papel
O meu silêncio escreve as dores deste canto
O qual declamo a sós de tudo, em vão, ao léu...

Outrora as flores que cingiam doce manto
Por sobre a terra tão sofrida imersa em fel
Sem seus poetas tudo é triste e dói, dói tanto!
Entregue a vida em seu ocaso, altiva, ao céu

Qual letra, enfim, reter-me a lágrima incontida?
Há de ficar pra sempre em nós a dor sentida
Sem que se escreva um alento e piedade

Se tudo é sempre assim: do amor rumo à saudade
Por que razões seguir em frente a nossa vida?
Por que o adeus teima em nascer da eternidade?

2012 Carlos Gomes

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A sala está vazia

Apraz-me recordar tão belo espaço,
Outrora vivo e reluzente,
Agora vazio e desolado.
Poetas que esperam, desesperando,
Por ideias que lhes valham belos sonetos,
Leitores que aguardam esperando,
Pelas palavras não ditas,
Pelas rimas que não são escritas,
Por um presente que por enquanto é passado.

Uma saudação pela vossa paciência,
Um grito meu, de afirmação,
Um renascimento que se evidencia,
É essa a minha convicção.

Todos os dias me lembro de vós,
E da saudade da nossa Olinda que tanto me inspira.

Esta sala está vazia, mas,
Mesmo em silêncio comunicamos.

2012 Vasco de Sousa

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aqui junto de ti

Grandes obras nascem de momentos insolúveis de solidão.
A grandeza de continuar nesta eterna saga faz de mim quem sou.
E pergunto continuamente:
Afinal quem sou eu?
Responde-me o universo
Tu és a magia do instante que passa e da saudade que fica.
És o voar da garça
Mas nunca serás esquecimento.
Então encosto-me no sofá e por breves momentos deixo-me dormir…

2012 Olinda Ribeiro
Fátima não esqueças

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

É noite na minha alma

Verdes lagos e casas caiadas debruadas a anil
Bois puxando o arado e cães latindo aos viajantes
O velhinho sentado no alpendre
As avezinhas voando
O dia está luminoso e sorridente
E as pedras do caminho vão chorando comigo
É noite na minha alma…

2012 Olinda Ribeiro

domingo, 2 de setembro de 2012

Náufrago


És, onda deste mar, presságio da partida
Quando que há muito foste encanto da chegada
Ao rebentar por entre as pedras da enseada
Acusa, o teu cantar, os versos duma vida

A vida que tanto buscou segura estada
Singrando o mar, fugindo ao medo, já sentida
Que o horizonte não guardava uma saída
E que todo caminho encerra rumo ao nada

A mesma areia que chamei de esperança
A mesma terra que tempos depois me lança
Neste deserto onde as águas não tem fim

Percebo a lágrima invadindo o mesmo rosto
Olho pra terra... Ela indica o lado oposto
Vem onda, vem levar o que restou de mim...

 Julho 2012 Carlos Gomes